WENDEL OLIVEIRA – Em tempos de COP 30, o mundo descobre o valor do ômega-3 que nasce nos rios da Amazônia

Durante muito tempo, acreditou-se que apenas os peixes de água salgada, como salmão e sardinha, fossem boas fontes de ômega-3. No entanto, estudos recentes comprovam que espécies amazônicas, como pacu, jaraqui e mapará, também possuem altos teores desse nutriente essencial à saúde.
O ômega-3 é uma gordura benéfica composta pelos ácidos graxos EPA e DHA, responsáveis por reduzir o colesterol ruim, combater inflamações e proteger o sistema cardiovascular e o cérebro. Assim, o consumo regular de peixes amazônicos pode trazer benefícios comparáveis aos dos peixes marinhos.
Pesquisas da Universidade Federal do Amazonas identificaram o pacu como uma das espécies com maior concentração de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. O jaraqui, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), também apresenta elevados índices desses compostos, prevenindo doenças do coração.
Outro destaque é o mapará, peixe amplamente consumido na região Norte. Um estudo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná apontou que uma pequena porção de 21 gramas do filé cru já seria suficiente para suprir a necessidade diária de ômega-3 recomendada para um adulto.
Além do valor nutricional, os peixes amazônicos apresentam excelente custo-benefício. Enquanto o quilo de salmão pode custar até dez vezes mais, espécies regionais como jaraqui e pacu oferecem nutrientes semelhantes por preços muito mais acessíveis, tornando-se uma opção viável para a população brasileira.
Essas espécies também têm relevância social e ambiental, pois fortalecem a economia regional e garantem sustento a milhares de pescadores artesanais. Ao incentivar seu consumo, valoriza-se a cultura alimentar local e promove-se o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Por fim, é essencial observar a origem dos peixes e evitar produtos de áreas com contaminação por mercúrio. Mesmo com essa precaução, o consumo de pacu, jaraqui e mapará representa uma escolha saudável, econômica e consciente, que reforça a importância nutricional e cultural das águas amazônicas.
*O autor é mestre em Ciências Pesqueiras nos Trópicos, engenheiro de Pesca do IFAM-Parintins, professor visitante na Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
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