quarta-feira, janeiro 21, 2026

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CARLOS SANTIAGO – O sentido da arte humana

Carlos Santiago

Se o Ser Humano não existe tão somente para dormir, comer e reproduzir, então qual o papel da arte na sua vida? É possível refletir sobre suas dores, decepções, alegrias e limitações?  É possível usá-la para estar descontente contente? Pode ser uma luz capaz de transformar o indivíduo e o mundo ou de escravizá-lo? São inúmeras questões filosóficas que envolvem a arte.

Com o surgimento da consciência, do início da capacidade de entender a complexidade do mundo e de sua finitude, o Homo Sapiens deixou de ser apenas uma espécie biológica e passou a construir arte nas diversas formas e expressões, sendo ela capaz de expor a condição humana que envolve o medo, a valentia, o mal, a bondade, a tristeza, a alegria, o sofrimento, a inquietação, o egoísmo, o amor e outros sentimentos e experiências.

As poesias mostram como somos limitados e vazios, procurando sentidos na vida ou transformando a beleza do mundo natural em qualidade humana ou sentimentos humanos no mundo real. Assim como os romances literários que expressam o amor, o ódio, a felicidade e a vingança. Não raro, encontrar esses sentimentos nas novelas televisivas onde existem sempre o lado bom e o mau das pessoas; e nas canções, a tristeza, a solidão, a imperfeição, inquietação e o impossível possuem lugar cativos.

A arte também é uma criação para suportar a condição humana, as intempéries da vida. Ouvir uma bela música, dançar com prazer, cantar uma canção, ir ao teatro e assistir comédia são importantes para levar a vida com leveza e riso diante do sofrimento e da angústia.

Arte pode ser, ainda, o instrumento de liberdade ou de escravidão. A partir dela, o ser humano faz revolução, muda o seu modo de vida e caminha sem dogmas para a liberdade; mas pode conduzir o homo Sapiens para a fé cega e para a intolerância que movem guerras e mortes.

Sem arte, o ser humano é só biologia; sem arte, a condição humana não é expressa; sem arte, fica muito difícil suportar o mundo e suas dores; sem arte, não se faz revolução nem existem ideologias que aprisionam o homem. Não há homem sem arte nem existe arte humana sem o próprio humano.

E é uma pena que a compreensão das inúmeras manifestações e extensões da arte humana seja infinita, tendo o homem uma vida breve, como expressava o filósofo grego Hipócrates.

*O autor é Sociólogo, Cientista Político e Advogado.

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