domingo, fevereiro 8, 2026

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ROBÉRIO BRAGA – Passarela do Samba

Quando se fala em desfiles oficiais de escolas de samba de Manaus, que em breve deverá acontecer -, me vem logo à mente a completa transformação que consegui realizar em 1982-1983, com uma programação carnavalesca de dar o que falar e que representou elevado salto de qualidade no evento.

Levado à presidência da Empresa Amazonense de Turismo – Emamtur, que, à época, era a responsável pela organização do carnaval de rua, com alguns cordões, batalha de confete, foliões isolados, blocos e escolas de samba, estabeleci acordo de cooperação com a Riotur e a Flumitur, e trouxe a Manaus carnavalescos e técnicos dessas empresas públicas e de turismo oficial, com quais e carnavalescos e técnicos amazonenses, realizei o trabalho de planejamento e organização dos desfiles locais, com base em tudo que era feito no Rio de Janeiro. Realizamos um seminário com os carnavalescos locais, após inúmeras reuniões de trabalho e ampla discussão, deslocamos os desfiles para a Avenida Djalma Batista, ainda em pista única.

Foi então que surgiu a denominação de “passarela do samba” para essa avenida construída pelo prefeito Jorge Teixeira e que recebeu essa justa denominação por indicação do brilhante escritor Genesino Braga. Os desfiles tiveram muitas inovações, como demarcações na pista, cronometragem, jurados, camarotes pagos, bares, lanchonetes, arquibancadas gratuitas para o povo, decoração em alto estilo, transmissão ao vivo por emissora de rádio. Por “pernada” de empresa do Distrito que prometera fazer o som da avenida e cancelou esse compromisso, de última hora, em razão de interesse político, fomos obrigados a trazer uma empresa do Rio de Janeiro (Roldão Som), especializada em som e luz do carnaval carioca, para atender a nossas necessidades.

Foi o caso de se dizer que essa medida se transformou em tiro no pé, porque, ao final, o carnaval de Manaus de 1983 representou uma verdadeira revolução, não só nos desfiles das escolas e blocos, mas também em evento que fiz no Tropical Hotel com baile, belíssimo concurso de fantasias – luxo e originalidade – no que Manaus tinha tradição, ocasião em que fizemos a apresentação Marlene Paiva e Moacir Deriquem, com suas fantasias maravilhosas. Como fecho de ouro, esse baile de carnaval sofisticado teve o privilégio de contar com a orquestra do maestro Cipó que, àquele tempo, era a mais importante do cenário carnavalesco nacional.

Trabalhando em governo tampão – administração Paulo Nery – 1982-1983 –, deixamos assentado acordo formal com as escolas e as empresas oficiais de turismo do Rio de Janeiro para que o aprimoramento do trabalho fosse realizado no ano seguinte, visando incluir Manaus, definitivamente, no mapa dos grandes carnavais do país. Os sucessores não deram prosseguimento, mas, mesmo assim, os desfiles oficiais e o carnaval de salão e desfiles de Manaus entraram na mira de vários patrocinadores e da mídia nacional.

Para a realização desse intento alucinado, com curto prazo para planejar e executar, contamos com o apoio e entusiasmo de Antônio Simões, do grupo Papaguara e Coca-Cola, de João Braga Jr, empresário e entusiasmado carnavalesco, de Umberto Calderaro Filho que, na ocasião, criou o Estandarte do Povo, agitando os sambistas e torcedores com uma enorme cobertura jornalística, júri respeitado e prêmio para os vencedores. Pena que, no final, por motivos que ainda não consegui entender, o bloco dos jornalistas se sentiu prejudicando, mesmo abrindo os desfiles como desejavam e, no dia seguinte, o “pau cantou” em parte da imprensa escrita.

O que valeu para dizer da qualidade do trabalho realizado foi a cobertura direta e ao vivo da Rádio Difusora, cumprindo a tradição com a qual se destacou na folia de Momo.

Um dia, contarei detalhes dessa verdadeira epopeia.

  • O autor é advogado, membro da Academia Amazonense de Letras
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