domingo, fevereiro 22, 2026

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Intelectuais se unem em defesa do Mulateiro do Clube da Madrugada

O abandono do centenário Mulateiro da Praça Heliodoro Balbi

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – Alcançou expressiva repercussão nas redes sociais a crônica “O Mulateiro do Clube da Madrugada pede socorro no Centro Histórico de Manaus”, assinada pelo jornalista Juscelino Taketomi e publicada na manhã deste sábado (21) no Portal ÚNICO.

O texto, que denuncia o abandono do centenário Mulateiro da Praça Heliodoro Balbi, sensibilizou nomes de relevo da intelectualidade amazonense, que passaram a defender providências imediatas para a preservação daquele que é um dos símbolos históricos do Clube da Madrugada.

A repercussão do alerta mobilizou escritores, artistas e ex-gestores culturais, que cobram avaliação técnica urgente e um plano efetivo de revitalização do monumento vivo situado no coração do Centro Histórico de Manaus.

Entre os que já declararam “forte engajamento” na causa estão o ex-secretário de Cultura do Estado do Amazonas, Robério Braga, membro da Academia Amazonense de Letras; o escritor e poeta Zé Maria Pinto, proprietário da tradicional Livraria Nacional; e o contista e artista plástico Otoni Mesquita.

Um símbolo ferido

Na crônica, Taketomi descreve o Mulateiro como “um símbolo ferido”: a placa comemorativa encontra-se caída e oxidada; as raízes estão expostas; o tronco apresenta cavidades; há relatos de cupins corroendo sua estrutura interna; e inexiste, até o momento, avaliação técnica especializada.

“O Mulateiro é hoje uma árvore altiva por fora, mas ameaçada por dentro. Uma metáfora contundente do abandono do patrimônio cultural”, escreveu o jornalista.

Robério Braga declarou-se “profundamente sensibilizado” com a situação e ressaltou que a preservação do Mulateiro ultrapassa a dimensão ambiental. “Trata-se de política cultural estruturante”, afirmou, destacando o valor simbólico da árvore para a inteligência amazonense.
Na mesma linha, Zé Maria Pinto advertiu que permitir sua deterioração “é consentir com o apagamento de uma memória literária que projetou o Amazonas para além de suas fronteiras”.
Otoni Mesquita, por sua vez, defendeu que a recuperação do Mulateiro seja tratada como prioridade emergencial, com ações técnicas imediatas e planejamento de preservação permanente.

Monumento vivo da cultura

Mais que uma árvore de casca lisa que se renova, o Mulateiro é marco fundador de um dos mais importantes movimentos intelectuais do Norte do Brasil. Sob sua sombra, em 1954, jovens escritores e pensadores romperam com o provincianismo cultural e inauguraram uma nova etapa da literatura amazonense.

Ali foram debatidos poemas, lançados livros, confrontadas ideias e alimentados sonhos estéticos. O Mulateiro tornou-se testemunha silenciosa de nomes como Luiz Bacelar, Jorge Tufic, Moacir Andrade, Saul Benchimol e tantos outros que moldaram a identidade cultural do Estado.

Mobilização forte

A mobilização que emerge nas redes sociais já aponta medidas concretas defendidas por Robério Braga, Juscelino Taketomi, Zé Maria Pinto e Otoni Mesquita, tais como avaliação fitossanitária completa por engenheiros florestais e agrônomos especializados em arborização urbana; tratamento contra cupins e pragas internas; recuperação estrutural do tronco, se tecnicamente viável; manejo adequado das raízes expostas; restauração e reinstalação digna da placa comemorativa; e ações educativas que reconectem a população ao significado histórico da praça.

O apelo dos intelectuais dirige-se ao Governo do Estado do Amazonas, à Secretaria de Cultura e Economia Criativa, à Prefeitura de Manaus, ao Concultura, à Semmas e ao Implurb.

Como diz Robério: “O que se delineia não é mera indignação episódica, mas a formação de um movimento cívico-cultural. A pronta manifestação de vozes da nossa intelectualidade amazonense confere densidade histórica, legitimidade institucional e força simbólica à causa. Com certeza, o Mulateiro permanece de pé e já não está mais sozinho”.

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