Amom Mandel pede a PGR que PF entre nas investigações da ‘Operação Erga Omnes’
Para o deputado, suposta ligação do chamado ‘núcleo político’ com CV em sete estados, aliada a operação na tríplice fronteira, justificam que a investigação seja federalizada

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – Em Ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta terça-feira (24), o deputado federal, Amom Mandel (Cidadania-AM), pediu a federalização das investigações relacionadas à organização criminosa investigada na operação “Erga Omnes”, que resultou em 14 mandados de prisão, sendo oito no Estado do Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão distribuídos em mais sete estados.
Para Amom, a suposta atuação do grupo em ao menos sete unidades da Federação, aliada à origem transfronteiriça dos entorpecentes — notadamente na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru — bem como à utilização sistemática de empresas de fachada para circulação de recursos ilícitos, justificam que a Polícia Federal entre no caso, já que as investigações apontam que o chamado ‘núcleo político’ teria ligação com o Comando Vermelho, no Amazonas.
“A PC-AM está fazendo um trabalho excelente, técnico e corajoso. Federalizar, aqui, é juntar time para enfrentar um adversário comum que é grande, organizado e não joga limpo. Quando a investigação aponta ramificações que atravessam fronteiras, envolvem rotas internacionais e tentam capturar instituições, a resposta precisa ser integrada, com mais estrutura, mais inteligência e mais proteção da prova”, avalia o parlamentar.

Desde o ano de 2022, ainda como vereador, Amom apresentou denúncias sobre possíveis conexões entre grupos criminosos e estruturas da administração municipal.
Já como deputado federal, sistematizou informações em um dossiê que apontava indícios de envolvimento de facções com contratos e decisões administrativas da Prefeitura de Manaus.
Ontem (23), durante anúncio de sua pré-candidatura ao governo do Estado, o prefeito David Almeida, desclassificou a operação da Polícia Civil, defendeu sua assessora Anabela Cardoso, presa na sexta-feira e disse que tudo se tratava de perseguição política. A operação não investiga o prefeito.
“Essas informações são inverídicas. Ela [Anabela] é da minha confiança, é inocente e vai continuar trabalhando comigo. [Essa operação] é para tentar sujar o meu nome. Eu sou trabalhador, sou honesto e vou provar minha inocência ”, afirmou.
O Governo logo em seguida divulgou nota: “É inaceitável que diante de investigações sérias o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política A Polícia Civil age com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica”.
Não conseguimos contatos das defesas de outros acusados. O espaço segue aberto.
Operação Erga Omnes
A operação Erga Omnes desarticulou uma organização criminosa investigada por atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. As investigações revelaram que o tráfico de drogas possuía ramificações dentro da administração pública.
Ainda conforme os dados do Coaf, a movimentação financeira identificada dentro de um período de quatro anos alcançou mais de R$ 70 milhões. De acordo com as investigações as drogas eram adquiridas em Tabatinga e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados do Brasil.
Entre os presos na operação deflagrada na sexta-feira está a investigadora da Polícia Civil, Anabela Cardoso de Freitas, apontada como pessoa de extrema confiança do prefeito de Manaus, David Almeida, e indicada por ele para integrar comissão de licitação da Prefeitura.
Além da assessora do prefeito, também foram presos Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas; Adriana Almeida de Lima, ex-secretária de gabinete de liderança da Assembleia Legislativa do Amazonas; o PM Osimar Vieira Nascimento, e Alcir Queiroga Teixeira Junior, Bruno Renato Gatinho Araújo e Ronilson Xisto Jordão, estes acusados de participação no esquema.
A polícia aponta os envolvidos como integrantes de um ‘núcleo político’ com suposta ligação com a facção criminosa Comando Vermelho, no Amazonas. O líder do grupo, segundo a polícia, Allan Kleber Bezerra de Lima está foragido.
A polícia apurou que Allan Klebe tinha uma rede de traficantes de vários estados do Brasil mandando dinheiro para Allan Kleber e ele mandando dinheiro para empresas fantasmas em Tabatinga (AM), na fronteira com a Colômbia.

