sábado, novembro 29, 2025

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AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO – O avanço da educação tecnológica na Amazônia

 

Augusto Bernardo Cecílio

Em um mundo que avança em ritmo acelerado rumo a descobertas científicas, automação inteligente e novos modelos de trabalho, a criação da Faculdade FPFtech surge como um ponto de inflexão na educação tecnológica da Amazônia. A novidade tem peso especial porque nasce de uma instituição que já carrega história.

Há 27 anos, a Fundação Desembargador Paulo Feitoza desenvolve soluções tecnológicas para indústrias do Polo Industrial de Manaus e, em sua área educacional, formou milhares de profissionais por meio de cursos, capacitações e projetos voltados ao desenvolvimento regional. Agora, sua experiência acumulada amplia-se para o ensino superior, abrindo uma nova etapa para a formação de talentos amazônidas.

Pesquisas internacionais projetam que uma parcela significativa das ocupações atuais será substituída ou profundamente alterada até meados do século. Para a Amazônia, onde convivem um polo industrial de alta complexidade e um déficit histórico de formação especializada, esse dado funciona como alerta e convite à ação. A região depende de profissionais capazes de lidar com engenharia, software, automação e tecnologias emergentes, justamente os campos onde a carência de mão de obra qualificada é mais evidente e onde a transformação digital já provoca mudanças estruturais.

É nesse contexto que a Faculdade FPFtech se destaca. Com cursos em Engenharia de Computação, Engenharia de Software e Tecnólogo em Automação Industrial, ela representa uma resposta local a um desafio global: criar condições para que jovens amazônidas ocupem posições estratégicas em um mercado cada vez mais digital e competitivo. Para a Diretora Nancy Cavalcante, essa expansão é resultado direto da vivência regional da instituição: “A formação superior em tecnologia precisa nascer de quem conhece a realidade amazônica, suas indústrias e seus desafios. É isso que estamos tentando oferecer.”

A discussão, no entanto, vai além de abrir vagas ou instalar novos laboratórios. Especialistas apontam que o desafio da Amazônia não é apenas acesso à educação, mas acesso à educação alinhada ao futuro.  Outro ponto sensível é a constante fuga de talentos. Muitos jovens deixam o estado para cursar engenharia e computação, áreas em que a oferta local historicamente não acompanhou a demanda das fábricas.

Ao oferecer formações especializadas e ambientes de aprendizagem semelhantes aos encontrados no Distrito Industrial, a Fundação pode contribuir para reter talentos e fortalecer um ecossistema de inovação dentro da própria região.

Há ainda um impacto indireto, mas fundamental: fortalecer a autonomia tecnológica da Amazônia. Tecnologias voltadas ao meio ambiente, automação sustentável, logística de longas distâncias e sistemas inteligentes para comunidades isoladas são exemplos de desafios que exigem profissionais formados dentro do próprio território, pessoas que compreendam não apenas a técnica, mas as particularidades sociais, culturais e geográficas da região.

No cenário amazônico, onde as distâncias geográficas e a infraestrutura desigual dificultam tanto o acesso ao ensino superior quanto a permanência dos estudantes, a chegada de uma faculdade com foco tecnológico representa um enfrentamento estrutural.

A expansão para o ensino superior reforça uma discussão maior: a urgência de conectar ciência, indústria e território. A Amazônia é frequentemente vista apenas como espaço de preservação ambiental e essa visão é essencial, mas também precisa ser compreendida como um lugar onde inovação, desenvolvimento e responsabilidade socioambiental podem caminhar lado a lado.

*Auditor fiscal e professor

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