Manaus registra ar “perigoso”, e epidemiologista alerta para grave crise no Amazonas
IQAir apontou concentração de partículas finas de 266,7 µg/m³ na capital; em Autazes, Jesem Orellana relata valores próximos de 600 µg/m³.

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – Manaus registrou qualidade do ar classificada como “perigosa” às 6h deste sábado (17), conforme registro da plataforma IQAir.
O índice de qualidade do ar na escala americana (US AQI) chegou a 383, com concentração de material particulado fino (MP2,5) de 266,7 microgramas por metro cúbico.
O cenário reforça o alerta do epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, sobre a gravidade da poluição na capital e em outros municípios do estado. Segundo o pesquisador, a qualidade do ar é péssima em praticamente toda Manaus, enquanto Autazes enfrenta condições ainda mais críticas, com concentrações de MP2,5 próximas de 600 µg/m³.
“Este é provavelmente o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica”, afirma Orellana. A avaliação é do epidemiologista; a mensagem não informa o horário nem a plataforma de monitoramento utilizada para os valores citados em Autazes.
Diante da situação, o pesquisador recomenda que, sempre que possível, os moradores permaneçam em casa, com portas e janelas fechadas para reduzir a entrada de fumaça. Ele destaca a necessidade de proteção de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares.
A Prefeitura de Manaus já havia reconhecido, em nota de 7 de outubro, que a fumaça que atingia a capital vinha de queimadas no interior do Amazonas, principalmente em Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.
Orellana também cobrou prioridade política para enfrentar a crise ambiental e sanitária. Criticou parlamentares que discutem CPI contra ministro do Supremo Tribunal Federal enquanto a população sofre com a fumaça e associou a recorrência da devastação a interesses ligados a atividades agropastoris e ao aproveitamento posterior das áreas atingidas.

