Falta de transporte fluvial pode ampliar abstenção no Amazonas e favorecer Flávio Bolsonaro

Se prefeituras e Justiça Eleitoral não ampliar cooperação técnica milhares de eleitores deixarão de votar no segundo turno

 

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A falta de transporte fluvial para eleitores do interior do Amazonas pode ampliar a abstenção no segundo turno e ter reflexos na disputa presidencial. Caso as prefeituras e a Justiça Eleitoral não viabilizem o deslocamento das comunidades que dependem dos rios, parte desse eleitorado poderá enfrentar dificuldades para chegar às urnas.

Os eleitores que moram, por exemplo, em Manaus e votam em suas cidades natal podem ficar sem votar, por falta de apoio de logística para o deslocamento.

O possível efeito político encontra respaldo na análise nacional de Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Em entrevista à GloboNews, repercutida pelo Terra em 14 de outubro, ele afirmou: “Quanto maior for a abstenção, melhor para o Flávio”.

Nesta quinta-feira (21) Felipe Nunes voltou a reforçar essa afirmação após pesquisa divulgada pela Quaest que dá empate técnico entre Flávio e Lula. Flavio teria 45% e Lula 44%.

A avaliação considera que Lula tem maior potencial de conquistar votos entre os que não escolheram nenhum candidato no primeiro turno.

Porém, esse estimativa pode encontrar barreiras. No primeiro turno, de acordo com o TRE-AM, o resultado apontou 20% de abstenção no Amazoans.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, aproximadamente 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente do transporte fluvial.

Em algumas localidades, o percurso até a votação exige horas ou dias de viagem, com obstáculos adicionais provocados pelas condições dos rios.

No Vale do Javari, a Justiça Eleitoral negou pedido da Univaja para fornecer transporte fluvial, água e alimentação a indígenas de 43 aldeias no segundo turno. A decisão apontou apresentação do pedido fora do prazo necessário para organizar a operação e ausência de recursos para custeá-la. Com a repercussão, a Prefeitura de Atalaia do Noete se dispôs a providenciar o transporte.

Nesse cenário, a ausência de barcos pode transformar a dificuldade de deslocamento em ausência às urnas. Um eventual benefício a Flávio no Amazonas dependerá do perfil dos eleitores impedidos de comparecer.

A reportagem entrou em contato com o presidente da Associação Amazonense de Municípios, Anderson Sousa, para saber se havia tratativas com prefeitos para manter a mesma estrutura de transporte do primeiro turno, mas não houve retorno.

A eleição de deputados estaduais, deputados federais e senador no primeiro turno, também pode influenciar no aumento das abstenções no interior do estado.

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