AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO – Como a FPFtech está ampliando o desenvolvimento de inteligência artificial na Amazônia
Quando se fala em inteligência artificial, é comum pensar nos grandes centros tecnológicos internacionais, onde empresas e instituições investem bilhões no desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados. Mas uma pergunta merece atenção: qual será o papel da Amazônia nessa transformação?
A região, historicamente associada à biodiversidade e aos recursos naturais, também reúne pesquisadores, profissionais e instituições capazes de participar da construção de tecnologias que estão modificando a economia mundial.
Um exemplo acontece em Manaus, onde a FPFtech colocou em operação o NVIDIA DGX H200, sistema de computação de alto desempenho voltado ao desenvolvimento de soluções avançadas de inteligência artificial.
O equipamento reúne oito GPUs NVIDIA H200, com 1.128 GB de memória de GPU e desempenho de até 32 petaFLOPS em FP8. Essa capacidade permite processar grandes volumes de dados, treinar e ajustar modelos complexos, realizar experimentos e desenvolver aplicações em infraestrutura própria.
Na prática, significa avançar para além do uso de ferramentas prontas. A instituição passa a contar com maior autonomia para pesquisar, testar e validar tecnologias em áreas como inteligência artificial generativa, visão computacional, robótica, automação e processamento de linguagem natural.
Essa capacidade já está sendo aplicada em projetos que envolvem o processamento acelerado de imagens de satélite, atividade que exige elevado poder computacional para analisar grandes volumes de informações. São aplicações que demonstram como a infraestrutura pode atender desafios de diferentes setores.
Outro aspecto importante é o controle sobre dados, modelos e processos. Com recursos computacionais próprios, equipes especializadas podem conduzir etapas de pesquisa e desenvolvimento com menor dependência de serviços externos, ampliando as possibilidades de experimentação.
Para o Polo Industrial de Manaus, essa infraestrutura também representa novas oportunidades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Empresas parceiras podem avançar em provas de conceito, testes de desempenho e desenvolvimento de soluções que exigem processamento intensivo.
Mas tecnologia não se sustenta apenas com equipamentos. É preciso formar pessoas capazes de utilizá-los e, principalmente, de desenvolver conhecimento a partir deles.
Nesse contexto, a FPFtech também integra a infraestrutura às iniciativas de capacitação em inteligência artificial, aproximando alunos e profissionais das etapas de preparação de dados, treinamento, ajuste e execução de modelos avançados.
Essa conexão entre formação, pesquisa aplicada e demandas da indústria contribui para ampliar as oportunidades de qualificação e criar condições para que talentos da região participem de projetos de maior complexidade.
Em um Amazonas que busca diversificar sua matriz econômica, investimentos dessa natureza apontam caminhos para ampliar a produção de conhecimento, estimular novas soluções e desenvolver competências tecnológicas localmente.
A Amazônia não precisa ocupar apenas o papel de consumidora das inovações produzidas em outros centros. Também pode pesquisar, desenvolver e participar da criação de tecnologias que terão impacto na sociedade.
Afinal, o futuro da inteligência artificial não depende somente de quem utiliza seus recursos, mas também de quem possui conhecimento e capacidade para desenvolvê-los.
*O autor é auditor fiscal e professor
