Entidades denunciam ao MPF grilagem de terras na Vila Amazônia, em Parintins
Após anúncio de asfaltamento na Vila Amazônia, empresários e políticos estariam adquirindo ilegalmente lotes no assentamento, segundo denúncia de entidades Ambientais e dos Direitos Humanos
Por Jonas Santos
DEAMAZÔNIA PARINTINS, AM – Seis entidades denunciaram, nesta quarta-feira (31/07), ao Ministério Público Federal (MPF-AM), a escalada de grilagem de terras no assentamento do Incra da gleba de Vila Amazônia, em Parintins ( a 325 quilômetros de Manaus).
Empresários e políticos estariam comprando lotes ilegalmente, numa área do assentamento que se estende desde a serra da Valéria até o Rio Arauá, no Mamuru, já na divisa com a cidade de Juruti, no Pará.
Os grandes lotes de terra adquiridos por grileiros estão sendo desmatados, com venda de madeiras para empresas do Pará que invadiram a floresta no Mamuru. Máquinas pesadas, como tratores e caminhões, atuam na limpeza dos terrenos.
O interesse pelas terras da Vila Amazônia aumentou depois que a Prefeitura de Parintins anunciou, este mês, o início do asfaltamento da estrada que liga Parintins-Juruti até Santarém, no Pará.
A denúncia ao MPF, com pedido de providências, é assinada pela Cooperativa dos Assentados do PA Vila Amazônia de Parintins; Grupo Ambiental Natureza Viva (Granav); Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Parintins; Trabalhadores Cristãos do Amazonas; Padres em Novas Dimensões; Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de Parintins e Amazonas.
“Informamos que estão ocorrendo ocupações desordenada na Vila Amazônia com situações fora do padrão da vida social e moral da comunidade”, diz trecho do documento, que o Portal deAMAZÔNIA teve acesso.
INVASÃO DE TERRAS
Algumas das áreas estão sendo invadidas na região do Rio Tracajá e na comunidade Nossa Senhora das Graças do Maranhão. Com a invasão de terras o movimento de pessoas no assentamento passou a ser intenso.
Até o terreno doado pelo Incra ( Instituto de Colonização e Reforma Agrária) à Diocese de Parintins já teria sido loteado. As famílias do assentamento identificaram a participação de dois políticos de Parintins.

Conforme a Legislação do Incra os assentados não podem possuir terras acima do que é previsto em lei.
As entidades também relatam existência de traficantes de drogas na gleba Vila Amazônia e que são as facções que fazem segurança dos madeireiros.