Com investimentos em turismo, gastronomia pode gerar tantos empregos quanto a Zona Franca de Manaus, afirma Jender Lobato
O pré-candidato defende o setor gastronômico como um dos potenciais motores da geração de empregos no estado, aliado ao turismo.

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A Zona Franca de Manaus consolidou-se, ao longo de quase seis décadas, como o principal motor econômico do Amazonas. O Polo Industrial concentra milhares de empregos e responde por parcela significativa da arrecadação estadual.
Para o ex-secretário de Cultura Jender Lobato, no entanto, o desafio agora é outro: aplicar a lógica dos incentivos a setores que também movimentam milhares de trabalhadores, como a gastronomia e o turismo.
Nesse cenário, a gastronomia aparece como uma das atividades mais estratégicas. Segundo levantamento do Senac Amazonas e do Portal do Comércio, o setor criou 11.834 novos empregos formais em Manaus em 2023, encerrando o ano com 54.870 postos de trabalho, distribuídos em aproximadamente 10.887 bares, restaurantes e estabelecimentos similares somente na capital.
Para Jender Lobato, a atividade deve ser tratada como uma política pública de geração de emprego e renda, assim como ocorreu com a indústria ao longo das últimas décadas.
“Qual é o incentivo que um dono de restaurante tem para abrir um restaurante? Zero. Não tem incentivo. A indústria vem para cá com os impostos zerados em troca da geração de emprego e renda. Por que os restaurantes não têm incentivo também? Eles deveriam ter. Basta olhar para as redes de restaurantes e franquias espalhadas por Manaus e ver quantos empregos geram. Mas isso parece ser invisível”, afirma.
Para o ex-secretário, essa discussão vai além da gastronomia e faz parte de um projeto de desenvolvimento baseado no empreendedorismo:
“A minha causa principal não é só a cultura, não é só o turismo, mas é o empreendedorismo. Porque o turismo gera emprego e renda, a cultura gera emprego e renda, a gastronomia gera emprego e renda, a economia criativa gera emprego e renda. Eu estou falando de milhares de trabalhadores que são empregados todos os dias em restaurantes, bares, lanchonetes e naqueles cafés de rua.”
A proposta, segundo o pré-candidato, é ampliar a matriz econômica do Amazonas, utilizando a cultura, o turismo, a gastronomia e a economia criativa como instrumentos permanentes de geração de emprego e renda.
A especialista em turismo Oreni Braga destaca que a gastronomia ocupa posição estratégica dentro da cadeia turística. Segundo ela, o visitante movimenta uma extensa rede econômica que envolve hospedagem, transporte, artesanato, comércio e alimentação.
“O turista não consome apenas um destino. Ele consome experiências. A gastronomia faz parte da identidade do lugar e representa uma das atividades que mais distribuem renda dentro da cadeia do turismo” , explica.
Dados da Organização Mundial do Turismo apontam que um em cada dez empregos no mundo está relacionado ao turismo, direta ou indiretamente, enquanto a atividade impulsiona dezenas de outros segmentos econômicos, do comércio ao transporte e aos serviços.
É justamente essa capacidade de multiplicar oportunidades que fundamenta as propostas defendidas por Jender. Entre elas estão a criação de um Fundo Estadual de Desenvolvimento do Turismo, um Programa Estadual de Sinalização Turística, incentivos ao turismo de base comunitária, o fortalecimento da pesca esportiva, a valorização da gastronomia regional, a qualificação profissional e investimentos em infraestrutura turística.
Além disso, a estratégia prevê o fortalecimento da economia criativa, dos festivais culturais, do artesanato, do turismo científico e do turismo religioso como formas de ampliar a geração de emprego e renda em diferentes regiões do Amazonas.

