Abin alerta governo e TSE para pressão dos EUA sobre eleições brasileiras

Relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência classifica como “crítica” a escalada da pressão dos EUA sobre o processo eleitoral brasileiro e alerta para riscos à soberania nacional, à autonomia política do país e ao controle de ativos estratégicos e riquezas naturais

Protesto bolsonarista ergue bandeira dos Estados Unidos ( Paulo Pinto- Agência Brasil)

 

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de “nível crítico” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026. O documento, elaborado sobre ameaças às eleições, foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

Segundo a análise da Abin, há uma tendência de aumento da pressão norte-americana sobre o Brasil. O órgão afirma que essa atuação faz parte de uma estratégia mais ampla do segundo governo Donald Trump para reforçar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir o espaço de potências rivais, especialmente a China, em setores considerados estratégicos.

A informação é da Folha de São Paulo.

O relatório cita documentos estratégicos do governo dos EUA divulgados entre 2025 e 2026 e aponta que Washington busca limitar o acesso de outros países a riquezas naturais, infraestrutura e ativos estratégicos latino-americanos.

Na avaliação da Abin, o Brasil ganhou atenção especial por manter uma política externa que procura preservar maior autonomia diante das pressões norte-americanas.

Ainda segundo a Folha, a agência também menciona sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas acusados de vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC. Para a Abin, essas medidas representam uma mudança na intensidade das pressões, por produzirem efeitos sobre pessoas físicas, empresas, acesso ao sistema financeiro norte-americano e operações internacionais.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também aparece no relatório. Segundo a Abin, declarações e ações do secretário indicariam uma estratégia destinada a influenciar a política externa de países latino-americanos e aproximá-los de Washington.

O documento cita manifestações de Rubio sobre a preferência norte-americana por governos alinhados aos Estados Unidos, mas essa interpretação é uma avaliação da inteligência brasileira sobre a política externa norte-americana.

O relatório relembra ainda uma proposta apresentada pelo governo Trump em 2025, segundo a qual o Brasil deveria assumir compromissos relacionados à participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou essa iniciativa como um “arquivo morto” para seu governo e afirmou que o Brasil não aceitará prioridade norte-americana sobre as riquezas minerais do país.

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