sexta-feira, abril 10, 2026

Portal deAmazônia

Jornalismo Profissional

Seminário reúne 68 mulheres em Manaus e cobra ações concretas no combate ao feminicídio

A atividade integrou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e reuniu 68 mulheres no auditório do partido

Foto: Divulgação

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A sede do PT Amazonas foi palco, na noite da última terça-feira (08/04), de um seminário marcado por escuta, denúncias e mobilização no enfrentamento à violência contra as mulheres. A atividade integrou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e reuniu 68 mulheres no auditório do partido.

Promovido pela Secretaria Estadual de Mulheres, o encontro foi além do debate técnico e se transformou em uma roda de memória e partilha. Durante o seminário, participantes relataram experiências marcadas por dor e resistência, com histórias de ameaças, omissões do poder público e falhas na aplicação de medidas protetivas. Entre os relatos, situações como mães que precisaram esconder filhas após ameaças, mulheres ofendidas e descredibilizadas, além de casos em que a demora no cumprimento de decisões judiciais quase resultou em tragédias.

As falas reforçaram a necessidade de um Estado mais presente e eficiente. O consenso entre as militantes foi claro: é preciso que o poder público escute a sociedade civil e fortaleça a rede de proteção para impedir que a violência avance até o feminicídio.

Ao final do encontro, o grupo elencou uma série de reivindicações consideradas urgentes. Entre elas estão a ampliação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas e equipes psicossociais, o monitoramento eletrônico imediato de agressores, a criação de abrigos em áreas periféricas e a efetiva implantação da Casa da Mulher Brasileira no Amazonas, que ainda não saiu do papel.

A presidenta da Secretaria Estadual do partido, Silvia Pimenta, destacou que é preciso transformar compromissos em ações concretas. “Não basta um pacto no papel. É necessário garantir que ele funcione na prática, protegendo vidas e responsabilizando agressores”, afirmou. Em outro momento, ela também ressaltou que iniciativas como o pacto trazem esperança de mais segurança para mulheres e suas famílias, especialmente diante de dados que apontam maior risco em situações cotidianas, como o retorno para casa.

O seminário contou com a participação de diversas palestrantes que contribuíram com diferentes perspectivas sobre o tema. A economista, teóloga e educadora popular Marta Valéria Cunha trouxe uma abordagem ecofeminista, conectando direitos humanos ao cuidado com os corpos e os territórios.

A tenente da Polícia Militar Paula Rocha, comandante da Ronda Maria da Penha em Careiro Castanho, apresentou experiências práticas de patrulhamento especializado e destacou como a atuação focada pode contribuir para a redução da violência.

Já a professora e historiadora Gleice Oliveira resgatou a memória das lutas sociais e femininas, conectando essas trajetórias à construção de estratégias atuais de enfrentamento. A advogada Laila Alencar, por sua vez, abordou caminhos jurídicos para combater o racismo e a discriminação institucional, ampliando o debate sobre as múltiplas formas de violência.

Lançado em 2026, o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é uma ação conjunta dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, reunindo 73 medidas integradas. A iniciativa busca fortalecer a rede de proteção, acelerar medidas protetivas e prevenir a violência contra as mulheres em todo o país, com apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro em Manaus reforçou um recado direto: mais do que compromissos formais, é urgente garantir respostas rápidas, estruturadas e eficazes para proteger mulheres e evitar novas vítimas.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *