Omar, o enxadrista
Após acordos frustrados e uma disputa contra os grupos no comando do estado e da capital, senador volta ao comando do governo com o apoio dos 62 prefeitos

Por Jonas Santos
DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A trajetória do senador Omar Aziz (PSD) na eleição de 2026 oferece uma imagem precisa: a de um enxadrista [obrigado a recalcular movimentos depois de ver peças importantes seguirem para o campo adversário].
Favorito nas pesquisas para retornar ao governo do Amazonas, o senador chegou ao Palácio do Governo, neste domingo (25), após superar desencontros políticos que poderiam ter comprometido sua candidatura. Até chegar aí, viu possíveis aliados virarem adversários e precisou reorganizar o jogo.
A primeira composição que não prosperou envolvia David Almeida. As conversas incluíram a possibilidade de Aryel, filha do então prefeito, integrar a chapa do senador. David preferiu deixar a Prefeitura de Manaus e disputar o governo. Omar ganhou um concorrente com influência sobre a administração do maior colégio eleitoral do estado, Manaus.
Com o grupo do então governador Wilson Lima, o roteiro teve desfecho semelhante. Roberto Cidade chegou a ser considerado para a vice de Omar. O acordo não saiu. Alessandra Campelo ficou com a vaga, já integrada PSD [composição que viria a somar com o peso feminino].
Depois vieram as renúncias de Wilson e de Tadeu de Souza. Cidade assumiu o Executivo Estadual, foi eleito pela Assembleia Legislativa para o mandato tampão e entrou na disputa pela permanência no cargo. O possível vice de Omar virou adversário [ com a caneta de governador na mão]
O senador foi ao primeiro turno enfrentando candidaturas ligadas às duas principais máquinas administrativas do Amazonas. Ao lado de Eduardo Braga, sustentou sua força no interior e preservou uma base que os acordos frustrados não conseguiram desmontar.
As urnas produziram a primeira inversão do tabuleiro: Omar avançou à frente de Maria do Carmo (PL). David e Cidade, ficaram pelo caminho.
Mas, o segundo turno apresentou outro desafio. Apoiada por Flávio Bolsonaro, a dona da Fametro, Maria do Carmo, tinha no eleitorado de direita da capital uma base importante [que já se desenhava desde as primeiras pesquisas]. Para Omar, conservar o interior era indispensável. Ampliar espaço em Manaus, também.
Foi aí que a articulação mostrou seu alcance. O apoio de 55 prefeitos no primeiro turno passou para 62 no segundo, com a adesão, inclusive, do prefeito de Manaus, Renato Junior.
David também aderiu. Wilson e Cidade mantiveram a neutralidade, com os filiados de seu campo político liberados para escolher um lado.
Essa movimentação deu ao senador uma rede de mobilização e interlocução política em todo o Amazonas. As alianças que não prosperaram no início da disputa deram lugar a uma frente que reuniu antigos parceiros e incorporou apoios de quem havia escolhido outro caminho no primeiro turno.
Omar converteu uma sequência de composições frustradas em uma vitória de articulação. Preservou aliados, recompôs pontes e ampliou sua base até reunir todos os prefeitos do estado, em torno de sua candidatura.
As urnas confirmaram a força dessa construção: Omar foi eleito governador com 1.273.975 votos, equivalentes a 61,42% dos votos válidos. Maria do Carmo recebeu 800.328 votos, ou 38,58%. A vantagem foi de 473.647 votos.
O enxadrista encerrou a disputa com o retorno ao governo assegurado. Depois de recalcular movimentos e reorganizar suas peças, Omar encontrou nas urnas a confirmação de que sua jogada mais decisiva foi saber recompor o tabuleiro.
*O autor é Jornalista

