Onda de ameaças de bomba atinge voos europeus pela 3ª vez nesta semana
Uma onda de ameaças de bomba atingiu voos de passageiros em toda a Europa nesta sexta-feira (6), pela terceira vez nesta semana. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que o continente parece estar enfrentando “uma agressão híbrida e uma forma de guerra psicológica”.

Ameaças falsas afetaram ontem dezenas de voos de passageiros por toda a Europa, forçando alguns aviões a fazerem pousos não programados e levando caças a escoltar ou interceptar outros — uma escalada dramática após uma primeira onda na terça-feira.
Nenhum dispositivo explosivo foi encontrado e todas as aeronaves pousaram em segurança.
A polícia dinamarquesa informou que investiga ameaças dirigidas ao tráfego aéreo no aeroporto de Copenhague, mas que sua avaliação imediata é de que não há perigo para os passageiros. O aeroporto disse que está “operando normalmente”.
A polícia tcheca informou ter registrado ameaças de bomba a voos partindo e chegando a Praga. Um porta-voz do aeroporto disse que elas diziam respeito a quatro voos de chegada e cinco de partida, mas que nenhum dispositivo explosivo havia sido encontrado e nenhum voo havia sido cancelado ou desviado por causa disso.
Pouco depois, uma fonte da autoridade aeroportuária italiana afirmou que um voo da Wizz Air de Praga para Roma havia sido desviado para Veneza e pousado lá em segurança.
O gabinete do primeiro-ministro francês informou que quatro novas ameaças de bomba foram feitas contra aeronaves sobrevoando o território francês e que todas pousaram em segurança.
Um alerta de bomba em um voo da Ryanair, de Roma para Lisboa, levou à ativação de uma operação de segurança assim que a aeronave pousou, segundo a CNN Portugal.
Ataque híbrido coordenado
Especialistas em segurança afirmam que as ameaças apresentam características de um “ataque híbrido” coordenado, embora sempre seja possível que indivíduos estejam fazendo ameaças por imitação ou agindo por motivo de ressentimento pessoal.
Embora nenhum país tenha atribuído a responsabilidade pelas ameaças, elas ocorrem após uma onda de ataques de sabotagem e tentativas contra alvos em toda a Europa, que vão desde subestações de energia elétrica alemãs até instalações relacionadas à defesa na região do Báltico, refrigeradores de supermercados na França e em outros lugares, e o aeroporto de Leipzig, na Alemanha.
Muitas autoridades relacionam a campanha ao apoio da Europa à Ucrânia em sua guerra contra a invasão russa, acusando Moscou de uma campanha de perturbações “híbridas”, essencialmente baratas de executar, facilmente negáveis e que não devem desencadear uma resposta armada.
José Manuel Albares afirmou à emissora nacional TVE que, embora leve tempo para determinar exatamente o que aconteceu, “não pode ser mera coincidência que tantos incidentes com exatamente o mesmo modus operandi estejam ocorrendo por toda a Europa”.
“A suposição mais razoável é que estamos diante de uma tentativa de agressão híbrida e de uma forma de guerra psicológica”, disse ele, acrescentando que a Europa deve estar preparada para mais desafios desse tipo.
Autoria: Reuters*
Fonte: Agência Brasil — Publicado originalmente em 06/11/2026 09:43 (Brasília).
Crédito da imagem: © REUTERS/Claudia Greco/ Proibido reprodução

