Após admitir não saber de Zona Franca, Plínio diz não ter novidade para o eleitor e expõe contraste na cobrança sobre a BR-319

Duro com Marina, senador Plínio Valério não teve a mesma voracidade contra Bolsonaro e Ricardo Salles durante o governo pela BR-319

 

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM Candidato à reeleição, Plínio Valério (PSDB) quer permanecer por mais oito anos no Senado, mas já admitiu que não tem “novidade” para apresentar ao eleitor amazonense.

“Mas, qual é a novidade que você queira? Que eu vá asfaltar a rua? Que eu vá construir ponte? Que eu vá construir a ponte da Seasa? Você quer essa novidade? Eu vou ganhar teu voto com isso? Então, eu vou prometer a ponte da Seasa”, ironizou.

“Eu não me permito fazer promessa, cara. Eu não me permito fazer promessa”, completou o senador, em tom desaforado.

A declaração se soma a outro episódio que chamou atenção: ao falar sobre a Zona Franca de Manaus, Plínio reconheceu “não saber nada” nem dominar aspectos técnicos e tributários do modelo.

Ao mesmo tempo em que admite limitações sobre o principal tema da economia amazonense, o senador tem demonstrado disposição para o confronto político, especialmente contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Em audiência no Senado, Plínio afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Depois, durante sabatina da Rede Amazônica, voltou a sustentar o tom duro contra a ministra.

O contraste aparece quando se observa sua atuação durante o governo Jair Bolsonaro.

Ricardo Salles comandou o Ministério do Meio Ambiente entre 2019 e 2021, período em que o desmatamento da Amazônia avançou de forma expressiva. Em 2021, o Inpe registrou 13.235 quilômetros quadrados de floresta derrubada na Amazônia Legal.

Mesmo assim, Plínio não protagonizou contra Salles confrontos com a mesma força, frequência e linguagem que hoje utiliza contra Marina. A diferença de tratamento fica ainda mais evidente quando o assunto é a BR-319.

Plínio cobrou duramente Marina pelos entraves ambientais à obra.

Mas, a BR-319 também não foi asfaltada durante os quatro anos do governo Bolsonaro. Aliás, o presidente Bolsonaro inaugurou no Amazonas uma única obra: uma pequena  ponte de madeira.

Se a BR-319 é fundamental para o Amazonas, como diz o senador, a cobrança deveria alcançar todos os governos e todos os responsáveis pela demora da obra, independentemente do alinhamento político.

 Atrito com jornalista

O estilo deselegante de Plínio Valério voltou a aparecer na sabatina da Rede Amazônica, nesta segunda-feira (31). Questionado pelo jornalista Brenno Cabral sobre sua postura e seus confrontos com Marina, o senador respondeu: “não interessa, cara”.

A resposta, acompanhada de tom ríspido durante a entrevista, também gerou críticas.

Para um senador da República [e jornalista de formação] o comportamento chama atenção pelo tratamento dispensado a um profissional que exercia justamente o papel de questioná-lo.

Marina pode ser cobrada e deve ser. Mas, Ricardo Salles também poderia ter recebido a mesma voracidade e indignação que o senador diz ter.

Bolsonaro também poderia ter sido pressionado com a mesma intensidade pela BR-319, porém, por seu alinhamento ao bolsonarismo, Plínio passou pano.

Foi esse questionamento que o jornalista Brenno Cabral fez que irritou e destemperou Valério.

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