Marcelo Ramos assume campanha de Lula com desafio de tirar militância da arquibancada digital

Por Jonas Santos
DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A confirmação de Marcelo Ramos (PT)na coordenação da campanha do presidente Lula no Amazonas coloca sobre o ex-deputado federal um desafio que vai além da articulação política: fazer a esquerda amazonense entrar efetivamente na disputa das redes sociais.
Foi o próprio Edinho Silva, presidente Nacional do PT, que confirmou, nesta terça-feira (1), Marcelo Ramos na coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula, em entrevista ao jornalista Ronaldo Tiradentes.
Lula tem obras, programas e ações do governo federal para mostrar no Amazonas, mas boa parte desse capital político ainda encontra poucos defensores no ambiente digital.
Enquanto adversários ocupam as redes diariamente, a militância de esquerda continua distante do debate, na arquibancada, repetindo uma deficiência já percebida em eleições anteriores para presidência com Fernando Haddad, em 2018, e o com próprio Lula, em 2022.
O problema não parece ser apenas de produção de conteúdo. A campanha nacional de Lula até que reagiu e com ataques.
Nos últimos dias, colocou no ar peças mais agressivas contra Flávio Bolsonaro e passou a estimular o compartilhamento de material também pelo whatsApp. Uma das peças, o ‘Pior dos Bolsonaros’, chegou a alcançar 10 milhões de visualizações nas redes ligadas ao PT, segundo a Folha de São Paulo.
Ou seja: conteúdo existe. Falta capilaridade.
No Amazonas, ainda é pequena a percepção de uma militância organizada para repercutir realizações do governo, responder aos ataques da oposição e disputar narrativas nas páginas, grupos de WhatsApp, Instagram, TikTok e demais redes.
É justamente aí que começa um dos principais testes de Marcelo Ramos. Não basta organizar agenda ou palanque com lideranças.
A campanha de Lula precisará transformar apoiadores em multiplicadores. Fazer com que vereadores, dirigentes partidários, movimentos sociais, sindicalistas e militantes deixem de atuar apenas presencialmente e passem também a ocupar o debate digital.
A direita atua organicamente, há várias eleições, com militância nas redes e que não se resume à página oficial do candidato. É uma rede de pessoas falando, compartilhando, respondendo e impondo assuntos ao debate público. Na Manaus bolsonarista não é diferente.
Uma pesquisa do antropólogo David Nemer, da Universidade de Harvard, mostrou que desde 2018 grupos bolsonaristas estão imersos no WhatsApp e Telegram. Em 2023/2024, a Internetlab realizou profundo estudo do ativismo político nas redes e identificou um ‘buraco negro’ do engajamento da esquerda no país.
Se a esquerda amazonense continuar apenas assistindo, Lula poderá chegar à eleição com realizações para mostrar, mas com pouca gente disposta a defendê-las [onde uma parcela crescente da campanha eleitoral acontece] na tela do celular.
Marcelo Ramos agora terá de tirar essa militância da arquibancada digital e colocá-la dentro do jogo.
* O autor é jornalista com MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político e Marketing Digital
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