Eleição no IFAM: campanha para reitor muda de data três vezes e levanta suspeitas de favorecimento a pró-reitor
Mudanças sucessivas no calendário eleitoral provocam questionamentos sobre a igualdade de condições entre os candidatos

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM – A eleição para a escolha do novo reitor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) é marcada por mudanças sucessivas no calendário eleitoral e questionamentos sobre o curto prazo concedido aos candidatos para apresentar suas propostas à comunidade acadêmica.
A votação está prevista para os dias 26 e 27 de novembro, quando também serão escolhidos os diretores dos campi da instituição.
Dois candidatos disputam a Reitoria: Leandro Damasceno, atual pró-reitor de Gestão de Pessoas do IFAM, e o professor Cirlande Cabral.
O processo ocorre em uma instituição que contabilizou mais de 20 mil alunos, distribuídos por 17 unidades de ensino no Amazonas.
Porém, o que chama a atenção é a sequência de alterações no período de campanha promovidas pela Comissão Eleitoral. O atual reitor do Ifam é o professor Jaime Cavalcante Alves.
No primeiro cronograma, o período de campanha eleitoral estava previsto para ocorrer entre 1º e 4 de outubro, apenas quatro dias corridos.
Posteriormente, a comissão transferiu a campanha para 17 a 25 de novembro, estabelecendo nove dias corridos, dos quais apenas sete seriam dias úteis.
Nesta sexta-feira (6), uma nova alteração ampliou o período de campanha para 12 a 25 de novembro.
Com isso, os candidatos passaram a contar com 14 dias corridos, sendo dez dias úteis, para percorrer as unidades do IFAM, dialogar com estudantes e servidores e apresentar seus projetos de gestão.
O calendário reduzido levanta questionamentos sobre a igualdade de condições na disputa.
A situação pode representar uma vantagem para Leandro Damasceno, que já ocupa um cargo estratégico na administração central e possui maior exposição institucional.
Em contrapartida, Cirlande Cabral enfrenta o desafio de apresentar sua candidatura e ampliar o diálogo com a comunidade acadêmica em um intervalo limitado.
A controvérsia expõe uma contradição no processo eleitoral: enquanto a votação será realizada em dois dias, o período destinado ao debate de propostas e à apresentação dos candidatos permanece restrito, não levando em consideração a dimensão territorial do Amazonas e das dificuldades de deslocamento entre os municípios onde o IFAM mantém suas unidades.
As sucessivas mudanças no cronograma também colocam em discussão a previsibilidade e a transparência do processo.
Em uma instituição pública de ensino, cuja gestão deve estar fundamentada em princípios democráticos, a garantia de condições equilibradas de campanha é essencial para assegurar uma escolha livre e consciente da comunidade acadêmica.




