Presidente do BC do Paraguai renuncia após colapso bancário

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia nesta terça-feira (3), pouco depois de anunciar o início de um procedimento de resolução para o banco digital Ueno Bank após ter sido detectado um déficit em seu índice de solvência, o que alarmou os clientes que se reuniram em frente às agências fechadas.

© REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

Tanto o Banco Central quanto Carvallo, que comandou o banco digital até agosto de 2023, têm sofrido pressão sobre a forma como supervisionaram o banco e sobre suas ligações políticas.

O caso está colocando à prova a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para o capital estrangeiro.

Clientes ansiosos, incluindo aposentados que recebem por meio do Ueno, ficaram do lado de fora das agências fechadas nesta terça-feira, conforme a incerteza sobre o futuro do banco se aprofundava.

“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse Manuel Cáceres, de Ñemby, nos arredores da capital Assunção. “Infelizmente, muitas pessoas, inclusive eu, estão passando a manhã assim”, afirmou.

Para aumentar a pressão, o Ministério Público do Paraguai solicitou a abertura de uma investigação criminal sobre os eventos envolvendo o Ueno.

Carvallo afirmou que apresentou sua renúncia, mas que permanecerá no cargo enquanto os procedimentos envolvendo o Ueno Bank forem conduzidos.

“Meu afastamento ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP [Banco Central do Paraguai]”, disse Carvallo em uma coletiva de imprensa após o anúncio.

Ele afirmou que sua renúncia permitirá que o Banco Central e a Superintendência de Bancos realizem seu trabalho sem serem distraídos por disputas políticas e midiáticas.
 

Clientes se juntam em frente a uma agência do Ueno Bank, em Nemby, para exigir acesso ao dinheiro. Policiais reforçam segurança no local – REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

Alerta

O Ueno, de propriedade majoritária do Grupo Vázquez, tem cerca de 3 milhões de clientes e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Ele cresceu rapidamente, seguindo um caminho semelhante ao de plataformas digitais como Monzo e Nubank.

Nos últimos meses, o banco enfrentou escrutínio regulatório devido a supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que inquietou os investidores e pesou tanto sobre os títulos em dólares do Ueno com vencimento em 2031 quanto sobre os títulos soberanos do Paraguai.

O Grupo Vázquez e o banco Ueno não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

O procedimento de resolução adotado visa proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira, afirmou o Banco Central, acrescentando que o caso é isolado e não indica problemas mais amplos no sistema financeiro.

O Banco Central informou que a Superintendência de Bancos designou interventores para verificar a situação patrimonial do Ueno, que os depositantes terão garantido o pagamento de até 75 salários mínimos (cerca de US$39 mil), conforme previsto na lei de garantia de depósitos, e que o pagamento aos aposentados também está garantido.

*Reportagem adicional de César Olmedo

É proibida a reprodução deste conteúdo

 

Autoria: Daniela Desantis – reporter da Reuters

Fonte: Agência Brasil — Publicado originalmente em 04/11/2026 09:11 (Brasília).

Crédito da imagem: © REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

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